Em um ano de poucos lançamentos no gênero, a chance da franquia The Crew da Ubisoft brilhar isolada era agora. Estando sozinha, poderia roubar as atenções e conseguir seu lugar de destaque. Após duas betas fechadas e uma aberta, eu senti que The Crew Motorfest estava pronto para ser lançado. Agora, após 30hrs imersos em seu mapa gigantesco, será que a Ubisoft conseguiu o seu brilho de destaque?
TÁ SOZINHO NO PALCO, MEU FILHO! BRILHA!
Logo de início, um glorioso passeio de helicóptero por toda a ilha, mostrando belíssimas paisagens, montanhas, florestas e muita festa, balada, som alto e pessoas dançando. Se você se sentiu familiarizado com essa vibe, saiba que você não foi o único. Logo no trailer (esse que está acima) você pode identificar muitas similaridades com Forza Horizon.
E elas não ficam apenas na introdução de The Crew Motorfest não, mas vão ficando mais leves com o passar do tempo. Bem como a “história” do jogo. Eu coloquei entre aspas porque é complicado chamar assim. Se você espera um enredo altruísta como em Prey ou mesmo secundárias amarradas como em Starfield, esqueça. Ainda estamos falando de um jogo de corridas do gênero arcade e não, esse ainda não foi o momento em que fizeram uma história decente pra um jogo de corridas.
Relaxa pois com menos de meia hora você não vai se lembrar de nada que aconteceu nesse início. Eu nesse momento, não me lembro sequer o nome da personagem que te apresenta a ilha e todo esse charme de The Crew Motorfest. Voltando pra história, é só isso mesmo. Tudo que você tem de história no jogo é essa introdução com o passeio de helicóptero. Está notando as similaridades? Vai acompanhando!
Cada playlits apresenta um tema e com ele a categoria de carros. Para ingressar nessa playlist, você se dirige a um local do mapa e assiste um breve filme de introdução a essa. O filme não usa gráficos do jogo, ele usa vídeo real, de pessoas reais, em locais reais e carros reais. Eu lembro dessa prática ser muito comum antigamente por conta do uso do CD como mídia. Após algum tempo se tornou obsoleto. Os filmes introdutórios de playlists em The Crew Motorfest me animavam, eu ficava ansioso pra saber como seria o próximo.
Alguns filmes são belíssimos, como os da playlist Lamborghini e 911, principalmente para quem assim como eu, é apaixonado por carros.
A JOGABILIDADE DE MILHÕES… TALVEZ MENOS
Aqui temos um ponto interessante que diverge entre elogio e crítica. Pra elogiar, posso afirmar que houve uma evolução com relação ao jogo anterior, The Crew 2. Você sente mais o contato do carro com a pista, você sente diferença entre pisos e o impacto do carro com o solo é melhor sentido, visualmente dizendo. Houveram inúmeros aprimoramentos no jogo passado, atualizações e mais atualizações fazendo ajustes finos na direção. Esse ajuste, manteve-se em The Crew Motorfest. Você sente que está jogando algo mais atualizado.
A crítica fica para a indiferença entre os carros de uma mesma categoria. Vou dar um exemplo: dentro da categoria Streeet Tier 2 você tem o Toyota Supra e o Skyline R34. Um carro tração traseira e outro 4WD. Não há diferença entre eles no jogo. Jogando, eles parecem ter a mesma dinâmica. Tirando o som e o desenho da carroceria, é o mesmo carro. E isso não somente entre esses dois. Dentro da categoria Street Tier 2 todos os carros aparentam ser a mesma coisa, mesmo que o carro seja completamente diferente. Isso é absurdo. É errado.
Você pode discordar aqui e dizer “mas Brambz, o jogo é arcade“, tudo bem. Realmente eu posso estar pesando um pouco a mão mas ainda assim eu acho absurdo uma Lamborghini Diablo ter a mesma dinâmica de um Mazda RX-7, mesmo que em um jogo de corridas arcade. Chega a ser cômico.
Em The Crew Motorfest foi inserido, pela primeira vez, o sistema de “rewind“, que possibilita o jogador voltar segundos antes pra evitar um acidente ou contornar uma curva da melhor maneira. Você já viu esse sistema em outros títulos e como seu funcionamento é simples, mas a Ubisoft não copiou esse sistema de forma tão eficaz: aqui em The Crew Motorfest, ele retrocede apenas o seu carro e não o tempo da volta, nem os danos que o carro sofreu. Eu custei a acreditar que erraram nisso e prefiro entender que foi proposital porque, não é possível!
Outro ponto que quebra bem a expectativa é mudar de música. Você precisa abrir o menu de GPS pra então trocar de música… e isso apenas no passeio livre. Dentro das playlists não é possível trocar a faixa e isso nos leva a outro tópico do jogo: o áudio.
SEM DUBLAGEM?! QUÊ ISSO UBI?!
Aqui eis outro ponto que ficou no “quase”. Algumas músicas são de bandas/grupos conhecidos mas são músicas completamente obscuras. Veja bem, de nada adianta eu dizer que o jogo tem uma música do Metallica e a música ser “Sweet Amber“. Pode pesquisar aí, essa música do Metallica existe. Não é a “One” ou “Seek and Destroy“, entendem?
Algumas músicas seguem as playlists e isso foi uma sacada óbvia porém de bom tom. A playlist “Vintage” por exemplo, só toca música antigas. A playlist de carros elétricos só toca músicas eletrônicas, dando um ar mais futurista na coisa como um todo. Mas no geral, no geral mesmo, todas as músicas são esquecíveis e que você sequer se importará de buscar nos aplicativos de streaming para ‘ouvir depois’.
E isso pode (e deve) ser tratado como opinião pessoal. Bom, a análise toda falando a real. Eu gosto de rock, gosto de eletrônica. O último jogo que eu busquei lista no aplicativo pra ouvir foi NFS Unbound, que 99% das músicas são Rap, Trap e R&B.
Agora vem a decisão bizarra da Ubisoft em não dublar esse jogo. Justamente a Ubisoft, que é conhecida por fazer bons trabalhos de dublagens em seus jogos. The Crew Motorfest é apenas legendado para nossa língua. E isso é ainda mais frustrante se levarmos em conta que a maioria do processo das playlists são contadas durante as corridas. Jogar, prestar atenção nas pistas e ainda prestar atenção nas legendas é pra deixar o jogador levemente estrábico. Bola fora, Ubi.
GRÁFICOS DE DAR CALOR (NO BOM SENTIDO)
Como todo bom jogo da Ubisoft, a imersão de região e local é muito bem feita. Eu nunca estive no Havaí antes, mas acredito que toda essa atmosfera tropical que o jogo te passa, seja de fato real. Em dias mais quentes, o sol faz turvar a imagem no asfalto, um detalhe interessante que é esquecido por muitos estúdios.
Os carros são bem construídos, deixando a desejar apenas nas texturas de adesivos e patrocínios em carros tunados e/ou carros de corridas. Além disso, todo aquele tunning extravagante que é comum da franquia foi replicado aqui.
Eu joguei no Xbox Series X, com o jogo no modo performance e mesmo nele, senti quedas de quadros em algumas situações pontuais. Nada que faça arder os olhos, mas dá pra sentir as quedas sim. Muito provável que algum patch vá resolver porque eram de fato situações esporádicas.
DIVERTIDO POR DEMAIS!
Nem eu acredito que irei dizer isso mas o ponto mais alto de The Crew Motorfest é o multiplayer. Há um modo chamado Grand Race, meu amigo, é dedo no botão e gritaria (se é que você me entende). São 24 pilotos, uma única volta, um traçado gigante cortando o mapa, dividido em 03 categorias de carros. As trocas de categorias são automáticas e você precisa dominar o carro nas 03, mantendo a posição, o carro na pista e a sanidade com aquele monte de maluco juntos. Pode parecer besteira mas é divertido demais. Eu me estressei algumas vezes mas todas elas por conta de erros do próprio jogo. O carro enganchava em algum canto ou a física do carro simplesmente desligava, deixando o mesmo incontrolável.
Mas voltando para coisa boa, outro modo muito divertido é o Demolition Royale. Uma arena enorme, 08 equipes de 04 jogadores, power ups espalhados pela arena e você precisa sobreviver. Power ups te concedem uma maior blindagem, maior dano de veículo e aceleram teu processo pra adquirir o Supremo: uma picape monster hot rod que dá um dano absurdo nos inimigos. Lógico, a arena vai se fechando de tempos em tempos.
FALHOU NO BRILHO HEIN?!
Essa era a chance da Ubisoft brilhar no gênero. Não temos nenhum jogo expressivo (nesse gênero) para esse ano e The Crew Motorfest faz bem feito algumas coisas. Detalhes como o sol turvando a imagem por conta do calor, o seu personagem colocando o braço para fora do carro quando andando em baixa velocidade, a beleza das paisagens havaianas, o filme das playlists, o modo multiplayer divertido, são pontos que expõem que uma parte da equipe da Ivory Tower estava de fato engajada em fazer deste o melhor jogo do gênero. Em alguns outros pontos, faltou esmero. Faltou vontade. Deixa a desejar em pontos bobos que, por mais que sejam ponto pessoais, poderia ter feito pra agradar uma maioria além (e fizeram no jogo anterior).
A franquia novamente ficou no ‘quase’ (mesmo sendo melhor que o anterior) e deixa claro que The Crew, nesse momento, é a ‘segunda força’ do gênero de corridas arcade. Deixando pra trás franquias conhecidas mas de certa forma ainda distante do melhor do gênero.
Plataformas: Xbox Series X|S
Publicado por: UBISOFT
Desenvolvido por: IVORY TOWER
Data de lançamento: 18/09/2023
Opções de compra: Microsoft Store
*O jogo foi acessado via Ubisoft+ para a realização desta análise.